Antes de qualquer técnica, vale a pena perceber o que estamos a olhar. Um mapa natal não é uma profecia. Não é também um quadro psicológico no sentido clínico. É um instantâneo do céu sobre o lugar e o instante em que alguém nasceu — desenhado em forma de roda para que possamos pensar sobre ele com clareza.
A roda divide-se em dois sistemas de medida que se sobrepõem:
- ·O zodíaco, que é um círculo de 360° dividido em doze fatias iguais — os signos. Diz-nos de que qualidade é a energia que estamos a ler.
- ·As casas, que são também doze sectores, mas calculados a partir do horizonte do local de nascimento. Dizem-nos em que área da vida essa energia se manifesta.
Sobre este duplo tabuleiro pousam-se os planetas, que são os actores. Cada um traz uma função arquetípica: o Sol é a vitalidade e a identidade central, a Lua é o mundo interior, Mercúrio é a forma como se pensa e comunica, e por aí fora. Entre eles formam-se ângulos — os aspectos —, e são esses ângulos que dão tensão e ritmo à carta.
Porque é que o local importa
Se duas pessoas nascerem ao mesmo tempo mas em continentes diferentes, vão ter os mesmos planetas nos mesmos signos. Mas a roda das casas — que depende do horizonte — será completamente distinta. O que está a despontar no Oriente em Lisboa não é o mesmo que está a despontar em Tóquio. Por isso a hora exacta e o lugar exacto fazem diferença real, e não é mero detalhe.
O que isto não é
Há quem ouça falar de astrologia e pense logo em horóscopos de jornal. Esses, com franqueza, são caricaturas — pegam só no signo solar e fazem dele a pessoa toda. Numa carta natal há dez planetas, doze casas, dezenas de aspectos. Reduzir tudo ao Sol é como descrever uma sinfonia inteira pela linha melódica do primeiro violino.
Vamos, ao longo desta trilha, desmontar isto peça a peça. Sem pressa.