A astrologia que praticamos hoje é o resultado de cerca de cinco mil anos de observação do céu — e de várias rupturas pelo caminho. Vale a pena conhecer-lhe a linhagem, nem que seja para perceber porque é que certas regras existem.
Mesopotâmia (séc. XX a.C. em diante)
Os primeiros registos sistemáticos vêm da Babilónia. Os escribas mantinham diários astronómicos com observações de eclipses, conjunções e movimentos planetários, correlacionando-os com acontecimentos reais. O zodíaco de doze signos iguais nasce aqui, por volta do século V a.C., como abstracção a partir das constelações.
Mundo helenístico (séc. II a.C. — séc. IV d.C.)
Quando a astrologia chega ao Egipto e à Grécia, ganha o que ainda hoje a estrutura: as doze casas, as dignidades essenciais, os aspectos maiores, o sistema de regências planetárias. Autores como Doroteu de Sídon, Vétio Valente e Ptolomeu deixam tratados que ainda se lêem.
Mundo árabe e medieval (séc. VIII — XV)
Quando a astrologia helenística é abandonada na Europa, é nos califados árabes que sobrevive e se sofistica. Aparecem os lotes árabes, os firdaria, refinamentos da astrologia horária. Dali volta para a Europa pela tradução para latim, sobretudo via Toledo.
Renascimento e declínio académico
Durante o Renascimento ainda há astrólogos a aconselhar reis e papas. Mas com a Revolução Científica e o Iluminismo, a astrologia perde o estatuto académico e passa para o domínio popular.
Século XX — a viragem psicológica
Alan Leo, Dane Rudhyar e mais tarde Liz Greene reformulam a astrologia em termos psicológicos, em diálogo com Jung. O foco desloca-se da previsão para a auto-compreensão. É esta a tradição com que a maioria dos astrólogos ocidentais hoje trabalha — embora muitos estejam, nas últimas duas décadas, a reabilitar técnicas helenísticas e medievais.
E hoje?
Hoje convivem várias correntes: psicológica, evolutiva, helenística, védica, hermética. Não há uma "astrologia verdadeira" única. Há linhagens com pressupostos diferentes, e cada uma responde melhor a certas perguntas. Vais ouvir-me referir várias ao longo desta trilha.